sábado, 2 de julho de 2011

*Lipogênese: Síntese de Ácidos Graxos

Bom como foi visto em aula a glicose é o principal precursor para a síntese de ácidos graxos! Mas vamos relembrar?! Carboidrato da dieta em excesso (em relação ao necessário para produção de energia e síntese de glicogênio) é convertido em ácidos graxos no fígado ou no tecido adiposo; sendo assim o principal fator no controle da taxa de lipogênese é o estado nutricional: se uma pessoa consome uma dieta rica em carboidratos, a taxa de lipogênese aumenta, já que glicose vai fornecer o carbono para a síntese de ácidos graxos (via acetil-CoA).
Então vamos entender o funcionamento dessa conversão de glicose em ácidos graxos!


A síntese ocorre no citossol, para onde deve ser transportado o acetil-CoA formado na mitocôndria a partir de piruvato, como a membrana interna da mitocôndria é impermeável a acetil-CoA, os seus carbonos são transportados na forma de citrato (resultado da degradação de proteínas e carboidratos que vai resultar em acetil-CoA e oxaloacetato, que sofrem condensação formando assim o citrato pela enzima citrato sintase) Nessa condição, o citrato não poderá ser oxidado pelo ciclo de Krebs, pois a isocitrato desidrogenase vai estar inibida, sendo assim o citrato vai ser transportado para o citossol pela tricarboxilato translocase, onde é cindido na presença de ATP em oxaloacetato e acetil-CoA pela enzima citrato liase.
O oxaloacetato é reduzido a malato pela enzima malato desidrogenase. O malato é substrato da enzima málica: nesta reação são produzidos piruvato e NADPH. O resultado dessas reações é o transporte dos carbonos do acetil-CoA (na forma de citrato), com gasto de ATP, da mitocôndria para o citossol e ainda a produção de NADPH. Acetil-CoA e NADPH (ambos no citossol) podem ser utilizados para formar ácidos graxos.
O carbono metil do acetil-CoA é “ativado” por carboxilação a malonil-CoA pela enzima acetil-CoA carboxilase. Essa reação requer ATP e bicarbonato como fonte de CO2. Na 1ª etapa o CO2 é ligado a um resíduo de biotina da enzima, usando energia derivada da hidrolise de ATP, o CO2 então é transferido para acetil-CoA. O 1º ciclo da síntese termina com a formação de butiril-ACP. Para prosseguir o alongamento da cadeia, o radical butiril é transferido para o grupo SH da β-cetoacil-ACP sintase, liberando o ACP, que recebe outro radical malonil. A repetição do ciclo após mais cinco voltas (que dá um total de sete voltas) leva a formação de palmitoil-ACP, que hidrolisado, libera o ácido palmítico.
No total, a síntese de ácido palmítico (16 C) requer 1 acetil-CoA, 1 malonil-CoA, 14 NADPH e 7 ATP (consumidos na formação de 7 malonil-CoA a partir de 7 malonil-CoA). Os NADPH têm duas origens: provém da reação catalisada pela enzima málica e das reações da via das pentoses-fosfato catalisadas por desidrogenases. Os ácidos graxos sintetizados aqui se combinam por esterificação com o glicerol com a finalidade de se produzir triglicérides armazenáveis


Referências Bibliográficas
1-  MARZZOCO,A.;TORRES B. B. Bioquímica Básica 2ª Ed., Rio de Janeiro:Editora GUANABARA KOOGAN.
2-TIRAPEGUI, JULIO. Nutrição Fundamentos e aspectos atuais – 2ª ed. - São Paulo: Editora Atheneu, 2006.
3-LEHNINGER,A.L. Princípios de Bioquímica 3ª Ed.,São Paulo,2002.
4- SACKHEIM,George I.;LEHMAN Dennis D. Química e Bioquímica para Ciências Biomédicas-8ª Ed.-São Paulo:Editora Manole,2001.

Imagem:

                                                                             
                                                           Postado por Maria Isabel Reis

3 comentários:

  1. Obrigada!! Já havia lido vários textos sobre o assunto, e o tico e o teco ficaram zonzos...hahaha... agora entendi tudo!! Muito legal!

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  2. Bah, valeu mesmo,o texto ta bem explicadinho, maldita glicose que se mete em tudo...

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  3. vlw mesmo pq precisa conferir essa parte de metabolismo =) OtimO!

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